Férias escolares são nossas janelas de oportunidade para viajar. Nessa expedição acampamos em três estados: São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Saímos de Mercedes dia 12 às 4:00h. Foram 728km até Borborema – SP. Acampamos no Camping da Prainha, onde ficamos por 2 dias. Este camping fica às margens do rio Tietê.
Dia 14, levantamos acampamento e dirigimos 346km até Delfinópolis – MG. Ali começava nossa aventura mais esperada: Serra de Canastra.
Serra da Canastra: Mais perto do céu
Próximo a Delfinópolis, já era possível avistar a serra que iríamos explorar nos próximos 5 dias.
Pode-se dividir a Serra da Canastra em duas porções: complexo turístico (formado por propriedades particulares que exploram a atividade turística) e o Parque Nacional.

O Parque Nacional não oferece estrutura de hospedagem e é proibido acampar lá. Não tem nem estrutura de restaurante, lanchonete ou bar. Apenas um banheiro na parte alta da Casca D’Anta. Todos os campings, hotéis e queijarias estão nas propriedades particulares do complexo turístico. Muitas propriedades possuem suas próprias trilhas para cachoeiras e, para isso, cobram uma entrada.
Acampamos 3 noites no camping Complexo Cachoeiras do Ézio @cachoeirasdoeziooficial. Lá, já é possível explorar uma trilha com 10 cachoeiras. Enquanto estávamos acampados lá, visitamos o complexo Cachoeiras do Ouro @complexodoouro. Saímos pela manhã, apreciamos o caminho, contemplamos as cachoeiras do complexo e almoçamos lá mesmo.





CAMINHO DO CÉU. Sentir-se pequeno diante da grandiosidade. Sentir-se grande sobre o paraíso.
Wild campings são a essência de viagens como essa. Campings particulares são ótimos pela estrutura e segurança que oferecem, mas numa expedição de acampamento, sempre planejamos um wild camping. E esse dia, terminaria com um desses.
Saímos do complexo do Ézio cedo (umas 8:00 – difícil sair mais cedo tendo que guardar todo o equipamento). Passamos pelo condomínio de pedras que são formações areníticas, similares as de Vila Velha, para quem é do Paraná. Em seguida, subimos para o Caminho do céu.
Impossível não pensar na pequenez humana e na grandiosidade da Criação. Ou mesmo, sentir-se enorme, grato, gigante, vencedor… só por estar ali – no topo da Canastra. Observar os vales, as propriedades, a fauna peculiar.



Após descer o caminho do céu, subimos pela Serra branca (trecho 4×4 emblemático!). Ao alcançar o próximo topo, procuramos um lugar com vista para a Casca D’Anta para o wild camping.
A visita do meteorito
Montamos o acampamento já no anoitecer. Após jantarmos pizza, estouramos a champagne para comemorar este momento que foi sonhado desde que estávamos planejando esta expedição.
Esta noite foi a mais agradável na Canastra pois a temperatura é mais elevada no topo. Nos vales, ao amanhecer, o termômetro do reboque marcou temperaturas inferiores a 10 graus. Neste dia especial, acordamos com agradáveis 17 graus.
Saímos da barraca pela manhã com a visão da incrível Casca D’Anta ao longe e um amanhecer tranquilo… no estilo mineiro. Depois do café da manhã, coloquei a Go Pro para filmar um time lapse. Esperando ver a nossa rotina de modo acelerado, me surpreendi ao ver um meteorito passando calmamente. Ignorando nosso modo acelerado, nossa pressa em arrumar o acampamento. Sem percebermos ele estava lá. Brindando conosco este lugar incrível!





Queijo da canastra, piscinas naturais e vista monumental
Tudo isso em um só lugar! Esse paraíso é o camping Piscinas naturais Tio Zezico. Limpo, bonito, tem rio que passa na propriedade formando piscina própria pra banho, vista para Casca D’Anta e ainda um dos melhores queijos da Canastra feitos e vendidos ali na propriedade.
Um dos nossos lugares preferidos ali na Canastra – depois do Wild camping hehehehe.
Ficamos ali por 3 dias, vimos a casca D’Anta debaixo e depois fomos para o parque nacional da Serra da Canastra para ver o nascimento da Casca D’Anta.


Parque Nacional da Serra da Canastra
Deixamos o camping piscinas naturais do tio Zé Zico. Fomos em direção ao Parque Nacional da Serra da Canastra. No caminho, apreciamos os cafezais de Minas Gerais. Entramos pela portaria 1, e apenas cinco minutos dirigindo, paramos para conhecer a nascente do Rio São Francisco.
A visita à nascente é rápida e simples. Por outro lado, é incrível observar como um rio nasce de forma tão singela e poucos quilômetros à frente já se transforma em uma cachoeira de 186 metros.
Em seguida, fizemos uma rápida parada no curral de pedras. Essas ruínas são antigas paradas de uma rota estratégica para tropeirismo e transporte de diamantes.
Quando visitamos, em julho de 2025, as estradas do Parque Nacional não estavam em boas condições. E isso que era época de seca. Principalmente para chegar na parte alta da Casca D’Anta. A estrada estava bem desafiadora para andar com reboque engatado. Com paciência e destreza no volante, chegamos sem nenhum contratempo.
A visita à parte alta da cascata é um passeio especial porque, além de poder observar o vale da canastra do alto dos 186 m da cachoeira, o rio São Francisco forma piscinas naturais onde é possível tomar banho. Ali, há banheiros disponíveis para os turistas mas vá preparado com o lanche pois não há estrutura de restaurante ou lanchonete.
Já era passado de meio-dia quando comemos o nosso lanche na Casca D’Anta. O caminho até a saída do parque ainda nos levaria algumas horas. Considerando que ainda teríamos que montar acampamento, decidimos por não visitar nenhuma outra atração no Parque Nacional e, então dirigimos direto até a portaria três por onde nos despedimos do Parque.
Quando estávamos planejando esta expedição, queríamos fazer um camping no Parque Nacional mas descobrimos que isso não é permitido. Felizmente, logo na saída do parque pela portaria três, há um ótimo camping chamado Portal da canastra. Estávamos cansados e dormimos apenas uma noite lá. Por este motivo deixamos de realizar imagens do local que é muito lindo e organizado. A estrutura é ótima. Eles também têm trilha para cachoeira a qual não conseguimos explorar. Fica a dica para uma estadia mais prolongada neste camping.



Terra de riquezas históricas
Minas Gerais é realmente um estado repleto de história cultura e riquezas naturais antes de chegar a Goiás, fizemos uma parada em Peirópolis: importante sítio arqueológico de dinossauros.
A visita ao museu dos dinossauros é um passeio rápido porém impactante especialmente para as crianças. Além disso, há muitos restaurantes nos arredores com comida mineira de qualidade e música ao vivo.
O Museu conta com ossadas completas de dinossauros escavados ali mesmo. Gostamos muito da réplica da preguiça gigante porque já tínhamos visitado uma paleotoca em Urubici, Santa Catarina. Foi muito legal associar o que exploramos em Urubici com a réplica de tamanho real do animal que as teria feito.



Tempo de relaxar
Planejamento é tudo. Organizar as paradas e visitas dia a dia cuidadosamente nos ajuda a curtir ao máximo cada jornada. Também nos ajuda a ter segurança e previsibilidade com as crianças. Assim, aproveitamos tranquilamente o museu dos dinossauros, almoçamos, e seguimos viagem para o próximo estado: Goiás.
Nosso próximo acampamento seria nos arredores da maior estância de águas termais do mundo. Chegamos em Rio Quente, no Eco camping Rio Quente, com tempo suficiente para montar acampamento. No dia seguinte, nosso grande desafio seria conseguir sair do rio. No próprio camping passa o rio de água quentinha onde ficamos o dia inteiro aproveitando para relaxar os músculos e descansar o espírito.
Esta região possui a maior concentração de parques aquáticos com águas termais do mundo. Não poderíamos deixar de visitar ao menos um. A nossa escolha foi o Hot Park. Este foi um dia de diversão para crianças e adultos. O único inconveniente é que em época de férias escolares os parques ficam muito lotados. O tempo de espera em filas é grande. Tudo isso é esperado para essa época então, muita calma.

O começo da volta
É chegada a hora de começar a fazer o caminho de volta para casa. Mas o caminho ainda nos reserva descobertas. Fomos até o estado de São Paulo e dormimos no camping municipal de Indiaporã, as margens do Rio Grande. Um local muito bem estruturado e mantido com zelo. O pôr do sol é muito especial. Este seria nosso último acampamento.
Baita dourado!
Nas nossas expedições até agora, sempre planejamos uma parada em pousada ou hotel para um descanso renovador. Para essa expedição fizemos esse descanso em Primavera, próximo à Rosana. Ficamos em um rancho de pescadores e o nosso alvo nesse local eram justamente os Dourados. Ficamos no rancho do Nanico que também foi nosso guia nas águas do rio Paraná, abaixo da barragem da hidrelétrica. Na parte da manhã, fomos os quatro no barco, Carol, André, Klaus e Massimiliano. Isso nos rendeu algumas linhas emboladas mas também um grande Dourado fisgado pelo Massimiliano.
Na parte da tarde, fiquei na pousada com o Klaus. André e Massimiliano voltaram para o rio onde ficaram até o escurecer trazendo de volta mais um Dourado. Sucesso! Os momentos de pesca são muito esperados pelo Massimiliano que reconta as histórias de pesca o ano inteiro.
Corpo descansado e alma satisfeita. Seguimos viagem de volta para casa. O último trecho de viagem é sempre longo e cansativo, porém cheio de esperança pela próxima viagem e gratidão por tudo vivido. A estrada nos proporciona esses momentos de reflexão. Nos faz viajar na mente também. Sentados em nossos bancos com a cabeça reclinada e o meio sorriso no rosto saboreamos a nossa sorte de vivermos nesse país tão rico e de termos a oportunidade e a disposição para explorá-lo.

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